28 de outubro de 2011

Khadafi foi violado antes de morrer, diz BBC.


Não é incomum que, após a queda de ditaduras, aqueles que as derrubaram exerçam o poder com igual crueldade. Isso é ainda mais presente nas chamadas "revoluções populares". Incitadas por grupos políticos radicais, quase sempre sem um programa ou projeto políticos definidos, as "massas" vão às ruas, depõem o tirano e durante algum tempo entregam-se alegremente à violência como forma de vingança contra aqueles identificados com o "antigo regime".
Assim tem sido ao longo da história. No Brasil, a tomada de Belém pelos revolucionários da Cabanagem foi marcada pela violência desmedida contra os "reinóis", lusos-brasileiros considerados inimigos dos cabanos. Na Rússia, a tomada do Palácio de Inverno do Czar não poupou nada e ninguém. Recentemente, no Iraque os palácios de Saddam Hussein foram depredados e os que foram encontrados neles torturados e mortos.
Mesmo assim, a forma como foi chacinado Muamar Khadafi (na foto acima, com Lula, que o chamava de "amigo e irmão" e Evo Morales, o cocalero) ainda é capaz de chocar.
Além de ter sido assassinado com dois tiros no peito e cabeça quando já não oferecia qualquer perigo, sabe-se agora que o ditador foi violado sexualmente. É o que informou ontem a rede noticiosa inglesa BBC.

Um vídeo amador gravado no momento da captura de Kaddafi, no dia 20 deste mês, indica que o líder teria sido estuprado pouco antes de morrer. A imagem mostra um rebelde tentando inserir uma faca ou instrumento similar no ânus do ex-presidente.
Organizações de direitos humanos já pediram uma investigação formal sobre as circustâncias da morte do ditador. Kaddafi morreu com um tiro na cabeça e no peito, disparados depois de que já estava nas mãos do Conselho Militar de Misrata, que apoia o Conselho Nacional de Transição (CNT), vencedor da guerra civil na Líbia.
O CNT confirmou à BBC que está investigando as versões de que o líder deposto foi vítima de abuso sexual momentos antes de morrer. Segundo a correspondente da BBC, Katya Adler, “Khadafi é rodeado por uma multidão de combatentes anti-Khadafi”. “A gravação parece mostrar o ex-ditador da Líbia sendo submetido a um abuso sexual”.
O roteiro deste filme de horror é bastante conhecido.
Logo depois de fartarem-se na violência, as "massas" serão convidadas a largar as armas e voltar para suas casas. Neste momento, os profissionais da política assumem o comando do país e, a depender da correlação de forças, podem instaurar um novo regime tão ou mais violento e ditatorial que aquele deposto.
É isso o que acontece quando "os sem-programa" são levados às ruas "contra tudo o que aí está".
Não se pode de forma alguma "defender" Khadafi. Deixo isso para aqueles que o chamavam de "amigo e irmão" ou aqueles que o consideram "símbolo da luta contra o Inperialismo". Eu não topo defender facínoras. Digamos que me falte estômago para apoiar marginais.
Vejam que os crimes do beduíno sanguinário sempre serão lembrados. Mas, a melhor forma de expiar esses crimes e pecados continua sendo o Estado Democrático de Direito. O ditador deveria ter sido julgado e condenado de acordo com as leis internacionais.
Se o novo regime líbio não punir exemplarmente os culpados (e nada indica que isso vá acontecer; sequer necropsia foi feita no cadáver do ditador), já começa mal.    
Está claro que neste momento a tal "Primavera Árabe" vive na verdade o "Inverno da Razão".

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