Vejam o que diz a presidente sobre o escândalo no Ministério do Esporte (na matéria do Estadão):
O ministro dos Esportes, Orlando Silva, conta com a presunção de inocência na denúncia de desvios de verbas na pasta, mas ele é responsável pessoalmente pelos convênios assinados com organizações não governamentais (ONGs), comentou a presidente Dilma Rousseff, antes de sair para jantar na capital administrativa da África do Sul, onde chegou hoje, para a reunião de cúpula do grupo conhecido como Ibas, formado por Índia, Brasil e África do Sul."O ministro é, a partir de agora, o responsável, é a assinatura do ministro que vai em qualquer convênio", disse a presidente. "Isso é importante ser esclarecido, porque nós consideramos que em muitos momentos do passado houve convênios com ONGs mais frágeis". Dilma fez questão de informar que fez uma reunião com os ministros, no começo do ano, para recomendar que, em lugar de ONGs, deem preferência a prefeituras e governos estaduais nos convênios com a União."Não significa que todo convênio com ONG é ruim, não é verdade", ressalvou a presidente. "Pelo contrário, em muitas áreas nós precisamos das ONGs para executar políticas." Ela deixou claro que os ministros foram alertados para adotar cuidados na relação com ONGs. "Se não me engano, em setembro nós definimos as condições para estabelecer qualquer convênio com organizações não-governamentais", disse Dilma. "Entre esses convênios, tem que se fazer uma chamada pública, tem de apurar se a ONG existe há mais de três anos e ela é imediatamente tirada de qualquer possibilidade de convênio se tiver incorrido em alguma falha, seja qual for."
Segundo um integrante da comitiva da presidente, há um temor no governo de que possam surgir novas denúncias, prolongando uma crise como a que derrubou o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, obrigado a se demitir após uma sucessão de acusações de desvios de verbas para atender a pessoas nomeadas pelos partidos de apoio a Dilma. A presidente, no entanto, disse respeitar "o princípio democrático e civilizatório" da presunção de inocência até prova em contrário. "Não só nós presumimos a inocência dele como ele tem se manifestado com muita indignação quanto às acusações", comentou.
Dilma disse estar acompanhando atentamente "todas essas denúncias, os esclarecimentos e as investigações". Ela lembrou que o ministro pediu investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre as acusações ("que ele imputa a uma injustiça").
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